Já não é preciso usar vários embriões

Depois da revolução provocada pela inglesa Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo, nascida em 1978, os principais avanços médicos da fertilização in vitro ocorreram na última década. O investimento em pesquisa é alto já que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade é um problema que afeta de 8% a 15% dos casais do mundo. No Brasil, estima-se que mais de 278 mil casais tenham dificuldade para gerar um filho em algum momento de sua idade fértil.

As chances de gravidez aumentaram muito com a utilização de embriões mais evoluídos. Normalmente, os médicos implantavam o organismo com três dias de desenvolvimento, com oito células. A partir de novos estudos, os pesquisadores conseguiram levar os embriões até o estágio posterior, chamado de blastocisto, considerado um elemento bem mais complexo, com até 120 células, e mais capaz de se manter e fertilizar.

Um estudo publicado pelo New Englande Journal of Medicine, dos Estados Unidos, demonstrou essa evolução. O cientista Evangelos Papanikolaou, da Universidade de Vrije, da Bélgica, analisou 351 mulheres inférteis abaixo de 36 anos que foram fecundadas com embriões em estágio inicial de divisão (3º dia) ou estágio de blastocisto (5º dia). As taxas de gravidez foram significativamente maiores entre as mulheres que transferiram blastocisto, com 32% contra 21,6% do método conservador.

– Nas relações normais, o que chega no útero da mulher é o blastocisto, que é mais complexo. Só que nem sempre embrião vira blastocisto – sustenta João Sabino Cunha, pós-doutor em reprodução humana.

Outra vitória dos últimos anos é o avanço do tratamento da infertilidade masculina. A injeção intracitoplasmática de espermatozoides, que consegue capturar a célula sexual para ser fecundado ao óvulo, praticamente acabou com as dificuldades do homem de poder engravidar a parceira. Além disso, o desenvolvimento do congelamento de óvulos a través da vitrificação, uma pesquisa japonesa, reduziu a quase zero as perdas, oferecendo melhores perspectivas para que as mulheres consigam engravidar.

Na próxima década, os especialistas apontam que o número de embriões para se alcançar a gravidez deverá ser ainda mais reduzido, chegando a um por vez e com garantias altas de sucesso.

– Hoje, já trabalhamos com dois embriões até os 37 anos – adianta Mariangela Badalotti, coordenadora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da PUCRS.

Cunha ressalta que o tratamento também deverá ficar mais fácil.

– Os hormônios, por exemplo, ainda são injetáveis, precisam de tempo para reação. Dentro de 10 anos, o medicamento será oral e com efeitos mais rápidos – acredita.